Minha trajetória no Basquete 3×3 – Da transição à consolidação

É com grande satisfação que recebo o convite do jornalista Frederico Batalha para assinar esta coluna dedicada ao Basquete 3×3 no site Databasket, uma modalidade que ganhou status olímpico, mas que por muitos anos foi marginalizada e vista como uma vertente informal do basquete tradicional.

A minha relação com o 3×3 começou no momento de transição da base para a categoria adulta. À época, o cenário era muito diferente do atual — o Basquete 3×3 ainda não possuía o reconhecimento que tem hoje. Muitos consideravam uma “última chance” para quem não teve sucesso no 5×5, mas para mim, se tornou uma oportunidade real de continuar atuando e evoluindo dentro do esporte que eu amo.

O meu primeiro campeonato foi organizado pela afiliada da TV Globo, a TV TEM, em Bauru. As regras eram rudimentares, o formato ainda se desenvolvia, mas já se jogava em meia quadra. Logo após, a Federação Internacional de Basquete (FIBA) padronizou as regras da modalidade, consolidando o formato que conhecemos atualmente.

Essa estreia foi uma experiência marcante: meu time venceu a etapa local em Bauru. Ainda que não tenhamos conquistado o título geral, foi um divisor de águas na minha trajetória esportiva. A partir daí, participei de outras etapas, ainda dividido entre os sonhos do 5×5 e o crescimento do 3×3.

Mudei-me para São Paulo em busca de novas oportunidades e participei de peneiras, inclusive no São Bernardo, sob o comando do técnico Marcelo — sem sucesso. No entanto, foi nessa fase que conheci os responsáveis pelo projeto NBB 3, pioneiros no desenvolvimento do 3×3 no Brasil.

Paralelamente, participei de eventos promovidos pela NBA Track, com etapas no Parque Villa-Lobos e no ginásio de Barueri. Tive a oportunidade não apenas de competir, mas também de me envolver nos bastidores das competições. Fui convidado para atuar como mestre de cerimônia, o que marcou o início da minha trajetória como produtor e apresentador de eventos da modalidade.

No ambiente universitário, enquanto cursava Educação Física na FMU, montei uma equipe para representar a instituição em campeonatos estaduais. Fomos campeões universitários, em uma final histórica disputada na Praça da Sé, com quadra oficial montada especialmente para o evento. Enfrentamos o time do Bauru Basket, liderado pelo meu amigo Guilherme Ferrugem, em uma decisão memorável.

Logo depois, fundei o time Brotherhood, que se consolidou como uma das principais equipes do país. O auge aconteceu quando o time era composto por mim, Rodrigo de Paula, Jonathan Melo e Luca. Com esse elenco, vencemos etapas importantes, conquistamos vaga em torneios internacionais (Challengers) e figuramos constantemente entre os três melhores times do Brasil.

Disputamos dois Challengers internacionais e, em um deles, chegamos as quartas de final, sendo eliminados por uma forte equipe argentina. A experiência foi enriquecedora, tanto esportivamente quanto pessoalmente. Jogar ao lado de atletas como Rodrigo de Paula, com QI de basquete elevadíssimo, foi fundamental para o meu desenvolvimento técnico.

Também participei do primeiro Campeonato Brasileiro de 3×3, no Rio de Janeiro, ao lado de Gui, Tony e Negrete — terminamos na quarta colocação. Logo em seguida, ocorreu o primeiro evento oficial da FIBA no Brasil, também no Rio, onde estive presente e vivenciei de perto o impacto internacional da modalidade.

O Brotherhood continuou participando de campeonatos estaduais e nacionais, sempre figurando entre os favoritos. Vivemos uma fase brilhante, reunindo atletas como Coloneze, Valtinho e outros nomes de peso que migraram do 5×5 para o 3×3.

Com o tempo, a equipe foi se dissolvendo: Tiago transferiu-se para os Estados Unidos, Jonathan seguiu para outro clube e Luca iniciou sua trajetória como técnico. Sem uma equipe competitiva para dar continuidade, comecei a me dedicar integralmente à produção de eventos.

Fui convidado para coordenar um projeto do governo do Estado de São Paulo, ao lado do ex-jogador Chuí, chamado “Varinha”, que percorreu diversas cidades promovendo o desenvolvimento do basquete 3×3. Foi uma das experiências mais gratificantes da minha carreira.

Nesta coluna, que será publicada quinzenalmente, trarei reflexões, bastidores, análises técnicas, regras e tendências sobre o universo do Basquete 3×3 — tanto no cenário nacional quanto internacional.

A modalidade cresce a cada ano e merece um espaço de destaque. Obrigado a todos que acompanham essa jornada.

Até a próxima!